Espelho

 

 

 

Você rejeitou meus desvelos

ignorou meus apelos

sem a mínima consideração...

 

E se afastou insensível

chutou a porta invisível

do meu pobre coração...

 

E fiquei machucada

minha alma angustiada

conheceu a desolação...

 

E chorei desencantada

rolei nos degraus

da auto depreciação...

 

E no fundo do abismo

encontrei um papel amassado

e um lápis mal apontado

jazia inerte no chão...

 

Sequei as lágrimas nas costas da mão

joguei a cabeça pra traz

e enfim veio a paz

clarear a escuridão...

 

Apontei o lápis no paredão

estiquei o papel nos joelhos

olhei minha alma no espelho

da recém-chegada razão...

 

E então vieram as rimas

libertou-se a poesia sufocada

e na cadência do poema marcada

a verdade se mostrou então...

 

Não estás presente a meu lado

nem me aqueces na tua chama

mas embora rejeites esta alma que te chama

a tua, ainda mora no meu coração...