Prefácio

        Durante anos de trabalho com as artes e os artistas plásticos, pude apreciar inúmeras concepções artísticas, perfeitas na técnica, magníficas na expressão, singulares na criatividade que, não obstante demonstrarem fazer jus a um lugar de distinção ao lado de quaisquer outros trabalhos de renomados autores, acabaram ficando à beira do caminho; suas cores esmaecidas sob a pressão do descaso dos críticos, seus autores buscando o pão de cada dia com outras atividades profissionais, sufocando o dom com o qual a Inteligência infinita os presenteou.

Ouvi incontáveis relatos de experiências frustrantes. De norte a sul, leste a oeste, nossos artistas se desenganaram com o pouquíssimo, ou nenhum, apoio recebido dos grandes empresários e das autoridades competentes; foram lesados com as falcatruas de leigos que se autodenominam críticos e marchands influentes e, no entanto, nada mais sabem fazer além de explorar a boa fé daqueles que depositam confiança em suas promessas e obras em suas mãos.

Recebi infindáveis queixas, sugestões, pedidos... Emocionei-me, não raras vezes, com a confiança que em mim depositaram muitos daqueles             eu, vivêssemos outra realidade política-social, não precisariam implorar por apoio e reconhecimento; suas obras bastariam para comprovar seus talentos e angariar espaços.

Reunindo experiências, colhendo detalhes aqui e ali, ao longo do tempo foram surgindo idéias. Fui vislumbrando respostas, não a todas, mas a um bom número de interrogações. E assim surgiu a iniciativa de elaborar o CATÁLOGO BRASILEIRO DAS ARTES PLÁSTICAS. A sua publicação tem por objetivo, além de catalogar os artistas plásticos, galerias e antiquários, divulgar seus endereços, categorias e estilos artísticos a que se dedicam. Independente do adjetivo amador ou profissional, acredito que o crítico mais sério e mais competente para avaliar uma obra e um artista é aquele que gosta, admira e compra. Por esta razão, o catálogo traz o endereço dos artistas para que o público que aprecia as artes possa entrar em contato com os artistas e seus trabalhos e assim ter a liberdade de elaborar suas próprias opiniões e conclusões.

E, para completar o conteúdo deste primeiro volume, foi acrescentada a agenda internacional, fato este que facilita aos interessados o contato com instituições estrangeiras e poderá facilitar a mostra da nossa realidade artística cultura além do nosso mercado interno.

Ciente das aspirações, talento e valor dos nossos artistas – mensageiros incansáveis das maravilhas da nossa natureza, porta-estandartes da nossa realidade política, emocional, social; cavaleiros andantes a empunhar a lança dos nossos sonhos na eterna defesa da insuperável musa, a Arte – espero que esta primeira publicação possa atingir o objetivo de abrir espaços aos artistas aqui catalogados, aumentando seus horizontes no cenário artístico plástico nacional e internacional e assim atender a pelo menos algumas das reivindicações desses poetas das cores e mensageiros das rimas que pulsam no coração da alma brasileira.

IVANIR PINEDA SANCHES

            Junho 1995