Súplica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pai,

acordei hoje amargurada

e de olhar o vazio,

cansada

pus-me a pensar em Ti.

Quantos dias Te chamei em vão

E sem poder calar a solidão

Tive medo de continuar aqui.

Este Teu mundo é pequeno

como uma cápsula de veneno

de amargor fatal.

Deste-nos a beleza dos campos

O lirismo das cachoeiras

Mas vejo espalhados aos prantos

Olhos perdidos em distraídas cegueiras.

Deste-nos a liberdade infinita

De criar, construir, crescer

E também a ignorância de bocas malditas

A destruir, matar, do belo escarnecer.

Deste-nos o amor ao coração

E a sensibilidade extra aos cinco sentidos

Mas também Deste-nos a dor da desilusão

E o amargor de sonhos destruídos.

Pai,

Tentei amar e fui rejeitada

Tentei criar e fui massacrada

Tentei crescer e fui barrada

Tentei plantar e fui pisada

Tentei doar e fui roubada

Tentei ser sincera e fui ludibriada

Tentei pedir e fui enxotada

Tentei consolar e fui humilhada

Tentei lutar e fui derrotada

Tentei não chorar e fui vencida.

Pai,

Tentei ser eu mesma nesta estrada

Mas não consegui nada

Que me desse forças pra continuar.

Pai,

Não Te encontrei na minha solidão

E hoje olhando o chão

Sinto-me como distante de mim.

Pai,

Não me deixe assim tão perdida

Pois ainda tenho a vida

Que me Destes pra viver.

Pai,

Mostre-me ao menos o caminho

Que leva a essa tal felicidade

De que tanto falam

E eu ainda não conheci!