Travestida

         

Já andei caminhos tortuosos

tive amores duvidosos

e na boca da noite

o luar como açoite

foi  guia companheiro

e derradeiro

de medos

esegredos...

 

Chorei pela madrugada

arrastei angústias pela calçada

e travestida de esperança

me fiz criança

deixando nas mãos do destino

o desatino

de não saber parar...

 

E me agarrei à confusão

aquecendo o coração

tentando acertar na corrida

a loteria da vida

e pelas ruas da cidade

encontrar a felicidade...

 

Que triste decepção

me acorrenta à desilusão.

Minha imagem de sonho

ora é um desalento tristonho

a se embalar fracamente

na porta estreita da frente

do caminho da escuridão...