Vendaval

O vento balança lá fora

E sacode a poeira solta no chão

o sol há muito foi embora

o frio se alojou em meu coração...

 

Desce a noite vagarosa cobrindo o espaço

negras nuvens prometem no ar tempestade

dentro de mim vai aumentando o cansaço

lembro teus olhos e desperto a saudade...

 

Tento contar o tempo que não te vejo

me perco nos cálculos, rodopio no infinito

parece que há mil anos me perco em desejos

e na luz de outra dimensão

não ouves meus gritos...

 

as árvores gemem com o ataque do vento

como meu peito arqueja na dor da tua ausência

parece haver uma guerra no firmamento

sou prisioneira

nas garras de aço da impaciência...

 

Queria explodir em milhões de partículas

me espalhar na ventania que irrompe do escuro

destruir de vez a feroz mandíbula

desta ansiedade

que me corrói a alma

e desalenta o coração inseguro...

 

escondo nas mãos o rosto molhado de pranto

sufoco a agonia em milhões de soluços

há mais fúria e horror no meu desencanto

que no vendaval que chora suas mágoas lá fora...