Volta e meia

Volta e meia te sinto presente

no ar que se enrosca em minha alma

e o coração diz adeus à calma

e do peito parido

um suspiro sentido

flutua no espaço finito

infinito na saudade...

 

Meia volta da razão

a se refugiar em lembranças

pobres aos olhos

mas enriquecidas como as crianças

que emprestam à fantasia

a riqueza das ilusões

da crença dos “faz de conta”...

 

Volta e meia, meia volta

e a constante inconstância do coração

salta do peito, pára inseguro nas mãos

me fazendo um fantoche indefeso

a desejar do desejo

o desapego do teu sorriso...

 

Meia volta, volta e meia

teu silêncio me chateia

e jogo nos ombros cansados

o manto da nostalgia

olho a noite

assisto ao nascer do dia

e renascendo com ele fico esperando

que qualquer dia, não sei quando

na meia volta da estrada

volta e meia congestionada

você volte pra mim...